As reformas escolares têm-se sucedido ao longo dos anos com uma frequência arrepiante, sem que tivesse melhorado a educação que se proporciona aos nossos jovens. Temos assistido a isto com os olhos bem abertos e não sabemos se devemos rir ou chorar.

Salvaguardando a boa intenção de todas as pessoas que têm promovido as tais reformas, o mínimo que se pode dizer é que elas não acertaram com o alvo. E não acertaram porque se lançaram a perseguir objectivos à superfície. Andaram pela rama. Limitaram-se a fazer qualquer coisa parecida com abanar um leque junto da cabeça de uma pessoa que se encontra cheia de febre...

Não se quis - ou não se conseguiu - atacar o micróbio causador da infecção.

Em primeiro lugar, a escola não é um meio isolado do resto da sociedade. É inútil intervir nela se não existir a consciência de que a sociedade deve ser educadora no seu conjunto. De que serve a criação, no ensino básico, de uma disciplina de "Educação Para a Cidadania", se as televisões continuam a apresentar os programas que bem lhes apetecem às horas que bem lhes apetecem, ensinando tudo o que é contrário à cidadania? As crianças, como todas as pessoas, vêem televisão... E têm boa vista!

Os interesses - económicos, porque não lhes descobrimos outros - dos canais televisivos continuam a sobrepor-se ao bem dos cidadãos, enquanto uma nova reforma faz coisas como passar aulas de 50 minutos para aulas de 90 minutos... A isto chama-se andar pela rama.

Por outro lado, todas as pessoas que trabalham em educação sabem muito bem o pouco que se pode fazer por um jovem quando a família não ajuda, quando a família está quebrada, quando existem instabilidade e problemas de todo o género. Enquanto as reformas prosseguem, com alterações que pouco ultrapassam o âmbito da papelada e dos horários, vai-se permitindo que, em todos os lugares e de todas as formas, se ataque a estabilidade familiar. A isto chama-se andar pela rama.

Por fim, temos os professores. Enquanto numa grande parte do mundo existe uma falta gritante de professores, nós por cá nem imaginamos o que isso seja. Todos os anos há um imenso número deles que não encontra trabalho. No entanto, é chocante a falta de capacidade de muitos. Não principalmente para ensinarem com profissionalismo as matérias das disciplinas que leccionam, mas, sobretudo, para actuarem eficazmente como educadores junto dos seus alunos, de forma a contribuírem para edificar neles o ser humano que devia crescer de forma harmoniosa e equilibrada em todos os contornos da sua personalidade. Para muitos, a escola seria óptima se não tivesse crianças...

Não existe uma avaliação dos professores. No actual sistema, o melhor professor é o que tem mais tempo de serviço, e alguns não fazem senão arrastar ao longo dos anos a sua desadaptação às tarefas educativas. Ora, com tanta riqueza de professores, não faz todo o sentido que estejam os melhores a trabalhar com os alunos? Não é importante que a formação dos professores seja muito melhor do que é actualmente?

Enquanto estas coisas sucedem e continuam a suceder, as reformas vêm e vão, deixando na mesma aquilo que é essencial. Enquanto estas coisas sucedem e continuam a suceder, nós discutimos acaloradamente se o estudo de Os Lusíadas deve ser feito no 10º Ano ou no 12º Ano.

A isto chama-se andar pela rama...

Paulo Geraldo